{"id":16904,"date":"2020-01-31T08:43:24","date_gmt":"2020-01-31T11:43:24","guid":{"rendered":"http:\/\/net.kodyve.com.br\/?p=16904"},"modified":"2020-02-03T16:48:51","modified_gmt":"2020-02-03T19:48:51","slug":"conheca-a-historia-de-aldair-da-codive-valinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/intranet.kodyve.com.br\/?p=16904","title":{"rendered":"Matheus filho do Aldair da Codive Valinhos"},"content":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]<\/p>\n<div class=\"feed-post-body-title gui-color-primary gui-color-hover \">\n<div class=\"_s\">\n<h1 class=\"_b\">Ap\u00f3s perder a m\u00e3e, jovem se dedica aos estudos para processar luto e \u00e9 aprovado em medicina na USP e na Unesp<\/h1>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><em>Negro e ex-aluno de escola p\u00fablica, Matheus Garbelim concorreu a uma vaga pela pol\u00edtica de cotas. Contato com ambiente hospitalar durante tratamento da m\u00e3e motivou que escolhesse medicina como carreira.<\/em>[\/vc_column_text][vc_zigzag][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]Matheus Garbelim, de 22 anos, aprendeu nas aulas de literatura o que significa &#8220;epifania&#8221;: a sensa\u00e7\u00e3o repentina de entender o mundo. &#8220;Quando minha m\u00e3e foi enterrada, ao ver o rapaz jogar terra sobre o caix\u00e3o dela, minha vida mudou. Decidi que queria deixar de ser um aluno problem\u00e1tico e passar a estudar&#8221;, conta. &#8220;Foi o jeito de preencher aquele vazio.&#8221;<\/p>\n<p>Cinco anos ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, Matheus foi aprovado em medicina na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), tanto no campus da capital paulista, pelo Sistema de Sele\u00e7\u00e3o Unificada (Siso), quanto no de Bauru, pela Fuvest; e na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ele ainda aguarda os resultados de outras tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n<p>Por ser negro e ter cursado o ensino m\u00e9dio em um col\u00e9gio estadual de Campinas (SP), o jovem p\u00f4de concorrer \u00e0s vagas reservadas para autodeclarados pretos, pardos ou ind\u00edgenas que, independentemente da renda, tenham cursado integralmente os \u00faltimos anos escolares em col\u00e9gios p\u00fablicos. Ele escolheu se matricular na USP de S\u00e3o Paulo &#8211; pela localiza\u00e7\u00e3o e por ser &#8220;a melhor do pa\u00eds&#8221;.[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;16906&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css_animation=&#8221;fadeInRight&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;16907&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css_animation=&#8221;fadeInLeft&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]Perder a m\u00e3e fez com que Matheus deixasse de ser o aluno relapso, que faltava \u00e0s aulas com frequ\u00eancia e que n\u00e3o se interessava pelos estudos. &#8220;No meu col\u00e9gio, faltava papel higi\u00eanico. Os profissionais eram esfor\u00e7ados, mas n\u00e3o havia estrutura para trabalharem. Eu sabia que, para passar no vestibular, precisaria procurar apoio extra&#8221;, conta.<\/p>\n<p>No terceiro ano do ensino m\u00e9dio, vivendo o in\u00edcio do luto, o jovem come\u00e7ou a estudar biotecnologia. Em seguida, matriculou-se em um curso preparat\u00f3rio da Unicamp, no qual os mais bem avaliados durante os dois anos de aulas s\u00e3o premiados com uma vaga na universidade. Seu desempenho, no entanto, foi insuficiente para o curso de medicina. Mais dois anos de cursinho pr\u00e9-vestibular, com bolsa de estudos, e Matheus viu seu nome na lista de aprovados.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acredito ainda, porque a USP sempre foi meu sonho. S\u00e3o tantas derrotas que a gente fica c\u00e9tico.&#8221;[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_empty_space][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8221;][vc_column_text]<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2><\/h2>\n<h2>Por que medicina? Pela m\u00e3e<\/h2>\n<p>A m\u00e3e de Matheus foi diagnosticada com melanoma, o tipo mais grave de c\u00e2ncer de pele. Foram quatro anos de tratamento. &#8220;Nos \u00faltimos seis meses, a situa\u00e7\u00e3o piorou, porque descobrimos que era um caso terminal, n\u00e3o tinha mais jeito&#8221;, diz. &#8220;Houve met\u00e1stase cerebral, afetando os movimentos de coordena\u00e7\u00e3o motora fina e as capacidades de respira\u00e7\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>\nDurante um m\u00eas de interna\u00e7\u00e3o, Matheus deu banho na m\u00e3e e acompanhou o trabalho da equipe m\u00e9dica do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;O ambiente hospitalar \u00e9 tido como o lugar onde voc\u00ea vai viver os piores momentos da sua vida. Mas eu s\u00f3 conseguia pensar na import\u00e2ncia do tratamento humanizado e da exist\u00eancia de um servi\u00e7o p\u00fablico de sa\u00fade. Fiquei fascinado. Foi o que me fez escolher medicina&#8221;, conta.<\/p><\/blockquote>\n<p>[\/vc_column_text][vc_column_text]Mas a escolha da carreira n\u00e3o foi uma decis\u00e3o simples. Matheus relata que enfrentou um processo de aceita\u00e7\u00e3o: ele mesmo n\u00e3o entendia que um jovem negro poderia ser m\u00e9dico. &#8220;N\u00e3o \u00e9 a profiss\u00e3o que estruturalmente a sociedade me designaria. Acho que era um preconceito comigo mesmo, talvez pela falta de representatividade. Mesmo no cursinho, eram poucos negros&#8221;, diz. &#8220;Sofri e sei que vou sofrer no ambiente acad\u00eamico. Mas tentarei tornar uma quest\u00e3o menor.&#8221;<\/p>\n<p>Ele defende a pol\u00edtica de cotas. Diz que n\u00e3o d\u00e1, no Brasil, para dissociar a desigualdade social da racial. &#8220;\u00c9 uma tentativa de diminuir a discrep\u00e2ncia nas condi\u00e7\u00f5es de acesso ao ensino superior&#8221;, afirma.<\/p>\n<h2>Ansiedade com problemas no Enem<\/h2>\n<p>Matheus n\u00e3o foi afetado pelo erro na corre\u00e7\u00e3o do Enem, mas lamentou a falha e relatou que o atraso na divulga\u00e7\u00e3o dos resultados do Sisu o deixou ansioso. &#8220;Acredito que o maior exame do pais tenha sido posto em xeque. Fico apreensivo, porque n\u00e3o sei se todos os candidatos receberam um tratamento justo. N\u00e3o d\u00e1 s\u00f3 para eu ficar feliz com a minha aprova\u00e7\u00e3o; todo mundo deve ter as mesmas chances&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Quando p\u00f4de consultar a lista de aprovados, comemorou com o seu pai, mec\u00e2nico, e com a irm\u00e3, de 17 anos. Mas, antes de contar para a fam\u00edlia, lembrou-se da m\u00e3e. &#8220;N\u00e3o acredito em vida ap\u00f3s a morte, mas ela acreditava. Espero que esteja vendo meus resultados. S\u00f3 ela achava que eu conseguiria me tornar m\u00e9dico um dia.&#8221;[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;16908&#8243; img_size=&#8221;full&#8221; css_animation=&#8221;fadeInRight&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Ap\u00f3s perder a m\u00e3e, jovem se dedica aos estudos para processar luto e \u00e9 aprovado em medicina na USP e na Unesp Negro e ex-aluno de escola p\u00fablica, Matheus Garbelim concorreu a uma vaga pela pol\u00edtica de cotas. 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